"É impossível viver só... Sorrindo"

domingo, 15 de agosto de 2010

O tempo errou duas vezes


Descobri uma fórmula para dormir melhor depois de testar variados métodos que iam de técnicas de respiração até a ingestão de Frontal ou Stilnox. Experimentei também, por algumas semanas, um cálice de vinho meia hora antes de colocar o pijama. Sucessivos fracassos. Sono trucado sempre. Até que um dia dormi vendo, por acaso, um episódio de Friends. Resolvido o problema. Episódios de séries americanas já na cama para ter um bom sono. Eu ria alto. Até apagar.

Uma dorminhoca feliz, em seu sono empurrado por gargalhadas. A angústia cruel como um cossaco russo das madrugadas insones desapareceu. Se por acaso acordava no meio da noite, lembrava de uma cena engraçada, e meus olhos outra vez se fechavam enquanto um sorriso doce dominava meu rosto. Primeiro foi Friends, depois The Office. Seinfield também.

Acima de todas as séries vinha Friends. Imaginei que não encontraria nada tão divertido como Friends até que assisti um episódo de Two And A Half Man.

Acabou.

Two And A half Man virou para mim a melhor série de todas. A música da introdução. As aventuras dos dois irmãos e o garotinho que é filho de um deles. A mãe isuportável. A personalidade leve, alegre, inspiradora de Charlie, o irmão bem-sucedido.Criador de jingles. Conquistador sempre, arrogante jamais.

Mas, uma vez, uma história me trouxe mais pesar e suspiros do que riso e sono. Charlie procura as mulheres que tratou mal. Quer dizer. Aquelas com as quais dormiu e depois simplesmente sumiu. Ele tinha razões concretas para isso, mas não importa. Pensei em minha trajetória. Havia alguém que eu gostaria de procura rpara dizer o que não fora dito?

Um verso de uma música me passou pela cabeça: "agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou".

O tempo errou duas vezes. Quando nos conhecemos eu estava em um relacionamento, ele solteiro. Quando voltamos a nos encontrar, ele estava casado, eu solteira. "Esperei a vida inteira ouvir que você estava sozinha", ele disse.

Eu tinha guardado tudo o que ele escreveu para mim. Mais de uma vez, em momentos de raiva, eu disse que a única coisa para a qual ele prestava era escrever.

"O destino nos deu uma segunda chance", ele disse. Eu contei a ele que fui numa cartomante, e dela ouvi que reencontraria alguém do passado para uma jornada eletrizante rumo ao futuro.

Nos beijamos como nos dias de glória no amor. Fizemos planos. Ele também se separaria. Combinamos de nos encontrarmos no dia seguinte. Mas alguma coisa me deteve. A caminho do encontro meu carro se desviou sozinho. Medo de destruir, com a realidade áspera, o maior sonho de amor que já vivi. Fugi dele. Ele ainda ligou algumas vezes, eu jamais respondi. Que dizer? Eu jamais encontraria as palavras certas, então me refugiava no silêncio.

Ao ver o episódio de Two And A Half Man em que Charlie busca as mulheres para as quais falhou, me lembrei dele.

Iria procurá-lo para dizer alguma coisa que explicasse meu comportamento ?

Não.

Mas queria, como queria, que ele soubesse que foi a maior paixão da minha vida. E que se sumi foi por excesso e não falta de amor.

"A vida continua e se entregar é uma bobagem".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tradutor