"É impossível viver só... Sorrindo"

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Alpinismo Amoroso


Curioso que o amor tenha chegado quando eu estava distraída e bem casada com a Solidão. Sutilmente ele foi me envolvendo, primeiro só aos sábados, depois aos domingo de manhã e, quando dei por mim, numa quarta à noite, ele já tinha escorraçado a adorável e silenciosa Solidão da minha vida.

Mesmo porque sou absolutamente contra ser absolutamente feliz. Gosto da vida como ela é, oscilante como uma montanha-russa, alternando esperança, melancolia, decepção, euforia, frustração, alegria, medo, triunfo, fracasso.

Existem alguns vínculos essenciais para que nosso amor crie asas e se transforme numa nave espacial de dar inveja aos mais competentes técnicos da Nasa. O principal deles é que estamos plugados no Senso-de-Humor-220-Volts. E ele é o nosso cãozinho de que levamos para passear todos os dias. Na verdade queríamos adotar um tamanduá, mas fomos ameaçados por uma dessas ONGs que têm por objetivo não permitir qua casais apaixonados domestiquem esse singular mamífero viciado em formigas.

Portanto, estamos conformados e felizes com nosso cãozinho e procuramos, sempre que possível, adicionar à sua dieta uma boa quantidade de formigas na esperança de que um dia ele se transforme num tamanduá.

Resumindo: está tudo bem conosco. Com os outros, nem tanto. Explico: o nosso problema, segundo os outros, está na "diferença de idade". Ele é mais novo do que eu. Digamos que ele nasceu ontem e eu anteontem e que, portanto, sou um dia mais velha do que ele. Eis algo que a fracassada, obsoleta e patética cartilha oficial do amor que normatiza o mais caro, desconhecido, cobiçado e nobre dos sentimentos humanos recrimina com vigor em seu artigo 5, segundo parágrafo, alínea C.

Acho que eu sempre posso trocá-lo por um homem mais novo. E que ele também pode me trocar por uma mulher mais velha. E que depois essa mulher mais velha poderia conhecer esse cara mais novo e os dois vierem a se casar. E eu ser a madrinha. Inútil.

A instalação do nosso delicioso Parque de Diversões, como costumo definir o amor, vem provocando uma onda de perplexidade, indignação e constrangimento em algumas mulheres à beira de um ataque de nervos.

Em geral, nós pensamos que o objeto de "amor" de um homem é tão somente um pedaço de carne rija e fresca durante um fim de semana ou, vá lá, um mês.

Mais do que isso, é sinal de pouca inteligência e nenhuma noção do que é o amor. O que não é o meu caso.

Os homens vêem nessas relações sinais de devassidão e depravação sexual. Devem, em suas mentes impregnadas de erotismo vulgar, imaginar que a cama de uma mulher é palco de cenas dignas de Sodoma e Gomorra.

E, pensando bem, eles têm razão. Nossa cama, é realmente uma loucura orgástica, cósmica, onde nos dedicamos com afinco ao alpinismo e à quebra de recordes de altitude.

Já temos o nosso parque de diversões devidamente instalado. É um grande passo para nos mudarmos para o zôo municipal.

Mas ainda temos muito tempo para decidir. Se vamos ou não. Se é ou não é. Se passou ou se ainda virá. Só sei que temos todo tempo. O que já é alguma coisa.

Valei-me Hannick Honoré!!!

6 comentários:

  1. Simplesmente adorei seu texto, super envolvente. Também sou contra ser absolutamente feliz em qualquer tipo de relacionamento, uns conflitos de vez enquando são fundamentais para dar uma remexida na relação. Bem que eu queria fazer esse alpinismo amoroso.

    abraço,
    www.todososouvidos.blogspot.com

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  2. Gostei do texto.
    Milagrosamente tive paciência para ler um texto grande (o que não é normal para mim) e acabou que eu realmente gostei.

    Espero uma visita sua lá na Casa do Baralho
    http://casa-do-baralho.blogspot.com/

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  3. Gostei muito do seu texto, seu blog é bem parecido com o meu... vou te seguir.. (:

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  4. Passei para retribuir a visita e o comentário lá no meu blog, e tive a grata surpresa de ler o seu escrito e simplesmente valew a pena, uma boa leitura sempre salva uma tarde meio que chata! rs, crônica cotidiana muito bem escrita essa sua, envolvente, apimentada em certas partes delicada em outras e até mesmo divertida afinal criar um cãozinho na inoscente esperaça de qu eum dia ele se torne tamanduá ri disso! rs... sobre a vida ser uma montanha russa concordo sobre gostar disso, ainda não sei quem sabe em breve? rs adorei seu blog, abraços!

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  5. Adorei! gotei de td, do texto, da ilustração (bem engraçada por sinal) e até do título. Parabéns, acho q vc leva jeito pra escritora mesmo. continue assim.
    www.blog-do-pena.blogspot.com

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  6. Tô te seguindo.
    Blog legal :)

    http://larissagurgelpat.blogspot.com/

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